O Flerte da Leoa nasce de um humor sutilmente irônico, elegante e provocador. A obra brinca com a ideia de sedução sem transformá-la em algo óbvio. Há uma espécie de jogo acontecendo na tela, como se a pintura soubesse mais do que revela.
A leoa do título não aparece de forma literal. Ela surge na atitude da obra: confiante, espirituosa e consciente da própria presença. Em vez de avançar, ela observa. Em vez de se impor, provoca. É um flerte conduzido mais pela personalidade do que pela conquista.
Entre amarelos dourados, vermelhos, azuis profundos, preto e áreas claras, os movimentos criam encontros inesperados e uma composição que parece mudar de expressão conforme o olhar percorre a tela.
Há força, mas também brincadeira. Há elegância, mas sem solenidade. O humor aparece justamente nesse contraste, como uma personagem que mantém a postura enquanto deixa escapar uma pequena provocação.
O título reforça esse jogo. O Flerte da Leoa não fala apenas de sedução, mas daquele instante divertido em que presença, confiança e ironia se encontram. Ela sabe da própria força e, justamente por isso, pode brincar com ela.
A obra convida o olhar a entrar nesse jogo sem procurar uma explicação definitiva. Cada forma pode sugerir uma expressão, uma intenção ou uma pequena cena imaginada.
No fim, talvez o flerte aconteça justamente entre a pintura e quem está diante dela: ela provoca, recua, muda de expressão e deixa para o observador decidir se entendeu a brincadeira.



